Depois de José Serra, é a vez do Instituto Millenium bater às portas do Clube Militar
Na próxima quinta-feira, parte das elites brasileiras dará um passo revelador. O Instituto Millenium, que reúne em seu Conselho de Governança e seminários os grandes empresários da mídia, irá se associar ao Clube Militar do Rio de Janeiro. Juntos, promoverão o painel “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão”. Serão palestrantes o diretor de Assuntos Legais da Abert (a associação das emissoras de TV) e os jornalistas fortemente identificados com a recente aproximação entre José Serra e a direita: Reinaldo Azevedo (“Veja”) e Merval Pereira (“O Globo”).
A vinculação do Clube com as ditaduras não pertence apenas à História. Ainda em 31 março de 2009, a entidade promoveu, em sua sede no Rio de Janeiro, uma festa em homenagem aos 45 anos do golpe de 1964 — chamado pelos promotores de “revolução democrática”. Mas o esforço de setores conservadores para espalhar de novo, entre os militares, os fantasmas da “esquerdização do país”, não começou com o Instituto Millenium. Em 31 de agosto, ao proferir palestra no Clube da Aeronáutica, José Serra comparou o governo de Lula ao de João Goulart — o presidente deposto pelo golpe –, sugerindo que ambos empenharam-se em implantar uma “república sindicalista”. São comuns, no site do Clube Militar, artigos de oficiais da Reserva que sugerem o mesmo.
http://www.ponto.outraspalavras.net/2010/09/16/saudades-de-1964/
***
Esses dias estava conversando com meus alunos sobre as rotatividades da ditadura e da democracia no país. Em uma simples linha do tempo do séc. XX da história do Brasil, poderíamos ver momentos autoritários e democrático-populistas alternadamente. Uma parte do debate que realizei com os alunos se referia à possibilidade da volta da ditadura, e de como poderíamos: 1)evitar isso, 2) lidar com isso, 3)enfrentar isso. Foi um debate interessante.
Já foi o tempo em que eu olhava o cenário político mundial e via um consenso absoluto e lindo ao redor da democracia. Vemos Líderes de direita ou ultra-direita estão ganhado cada vez mais força na Europa (Veja as paranóias do Nicolau francês) e aplicam medidas xenófobas e extremistas, ao mesmo tempo em que (me lembro de leituras de Boaventura de S. Santos) percebemos que essa cruzada moderna ocidental de impor a democracia e os valores ocidentais está sofrendo retaliações mais profundas e bélicas. Por outro lado, Obama e outros já começam a impor suas medidas de controle na internet (veja o artigo ACTA etc) e controle das vidas, dos corpos ( quem já leu artigos que dialogam com Deleuze sobre a "sociedade de controle" entederá a gravidade da nossa situação contemporÂnea). Fidel Castro já avisou que estamos em um momento similar à crise dos mísses ´da déc. de 60, olhando para o atual estágio de tensão entre EUA e Irã (aquele do Lulia) e que uma guerra poderá ser inevitável, caso as coisas prossigam como estão. Fora aquele papo de que a guerra nesse século será pela agua e biodiversidade (e aí o Brasil estaria bem no meio), o panorama político para daqui 20 ou 40 anos não é animador. Para se querer entender os contextos, basta olhar o que o Brasil e o Mundo passavam em meados da déc. 1950 e o que ocorreu 10 anos mais tarde...
"um espectro ronda a Europa, é o espectro do terrorismo"
Estamos na era das "vacas gordas do conhecimento e informação".
Boa SOrte para nós.
Vejo-vos nas trincheiras virtuais e reais.
Plageando Simão:
"Ainda bem que nóis sofre, mas nóis goza. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário